Estudo Ecotoxicológicos do Crack empregando como modelo mexilhões marinhos Perna perna (Bivalvia: Mytilidae)

Aline Saturnino Saturnino Souto Kamimura, Luciane Alves Maranho, Camilo Dias Seabra Pereira

Abstract


As concentrações de cocaína encontradas em ecossistemas marinhos são de preocupação ambiental por serem compostos bioativos podendo bioacumular ou causar efeitos nocivos a organismos não-alvo. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos subletais do crack em diferentes fases da vida do mexilhão Perna perna, por meio de ensaios fertilização, desenvolvimento embrionário e larval e, estabilidade da membrana lisossomal de hemócitos em organismos adultos. Os resultados foram avaliados através do Trimmed Speraman Karber e ANOVA seguida de Dunnett.  O ensaio de fertilização apresentou concentração de efeito a 50% dos gametas expostos CE50 1h = 23,53 mg/L, enquanto a Concentração de Efeito Não Observado (CENO) foi de 10 mg/L, e a Concentração de Efeito Observado (CEO) foi 20 mg/L. Efeitos sobre o desenvolvimento embrionário e larval foram observados com CE50 48h = 16.31 mg/L, CENO = 0,625 mg/L e  CEO = 1,25 mg/L. Os efeitos sobre a membrana lisossomal  foram observados com CENO = 0,5 µg/L e CEO = 5,0 µg/L. Este estudo demonstrou que o crack causou efeitos em aspectos reprodutivos do mexilhão P. perna em concentrações de cocaína acima das detectadas em ambientes aquáticos. Entretanto, citotoxicidade foi observada em concentrações ambientalmente relevantes, denotando risco à saúde de organismos não-alvos. Nosso estudo tem caráter inovador pelo ineditismo da avaliação ecotoxicológica marinha de uma droga ilícita detectada em zonas costeiras brasileiras e internacionais

Palavras-chave: Crack, ecossistema marinho, mexilhões, efeitos reprodutivos, citotoxicidade.


Full Text: PDF

Refbacks

  • There are currently no refbacks.