Considerações sobre o desenvolvimento de modelos de negócios sustentáveis para bioplásticos a partir de fontes renováveis como alternativa aos plásticos de origem fóssil

Carlos Alberto Correa Correa

Abstract


Desde a década de 70 com a consolidação da indústria petroquímica no país o mercado brasileiro é dominado por produtos plásticos de origem fóssil, cujo principal atrativo é seu baixo custo, versatilidade e desempenho. Ao longo desse meio século, o volume de resíduos plásticos vem crescendo em níveis alarmantes, uma vez que apenas uma fração de pouco mais de 20% dos plásticos presentes em resíduos sólidos urbanos são separados e reciclados. Uma grande parte acaba sendo destinada aos lixões ou aterros sanitários. Ao mesmo tempo, apesar de o país ser um dos principais produtores de matérias-primas de fontes renováveis e ocupar uma posição de destaque no cenário internacional na produção de biocombustível e bioplásticos derivados da cana de açúcar, ainda são insipientes as aplicações dos bioplásticos no mercado brasileiro. Desta forma, a tendência para substituir matérias-primas de origem fóssil por renováveis no país permanece difusa em função da ausência de percepção de valor por parte de fabricantes, transformadores, proprietários de marca e do público consumidor em geral. Enquanto isso, a Europa lidera a produção e o consumo global de bioplásticos, que vem crescendo nas duas últimas décadas, com uma forte tendência para produção de bioplásticos em regiões com maior disponibilidade de matéria-prima (Ásia-Pacífico e América Latina). A ausência de legislação específica, e a falta de estímulo governamental que garanta a competitividade de produtos de origem renovável também dificulta o desenvolvimento do setor. Alguns modelos de negócios sustentáveis encontrados atualmente na Europa e na América do Norte são baseados em padrões definidos por normas de biodegrabilidade e compostabilidade, que, no entanto, para serem aplicados no Brasil precisariam ser redesenhadas sob uma perspectiva regional e a partir de uma análise sistêmica integrada dos elos da cadeia de valor e do ciclo de vida do produto com base em conceitos de economia circular. No presente artigo são apresentados alguns cenários possíveis para substituição de plásticos de origem petroquímica por bioplásticos de fontes renováveis e suas possíveis implicações ambientais, econômicas e sociais em face à necessidade de desenvolvimento de sistemas de accountability e indicadores de sustentabilidade que levem em conta estes fatores.

Palavras-chave: Bioplásticos, Fontes Renováveis, Basebio, Modelos Sustentáveis, Resíduos Sólidos

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