Variação do fator de condição em teleósteos capturados como da fauna acompanhante da pesca de camarão-sete-barbas, Xiphopenaeus kroyeri na Praia do Perequê, Guarujá-SP

D. M. Araujo, K. R.O. Cordeiro, A. A. Almeida, J. L. Santos, M. M. Rotundo

Abstract


Por mais que o esforço pesqueiro seja dirigido a uma espécie-alvo, sempre haverá a captura de outras espécies acessórias ou “bycatch”. Parte deste “bycatch” é devolvido ao mar, por falta de interesse econômico e/ou tecnológico sendo então denominado como descarte. Assim, se torna necessário o conhecimento dos aspectos biológicos destas espécies, a fim de mensurar o impacto da pesca sobre as mesmas. O fator de condição (K) indica o grau de higidez de um indivíduo, estando relacionando às condições ambientais e aos aspectos comportamentais de cada espécie. O presente estudo busca analisar as variações sazonais deste fator, nas espécies de Teleostei descaradas pela pesca do camarão-sete-barbas, na praia do Perequê, Guarujá-SP. Foram realizadas duas amostragens (Primavera e Verão) com a utilização de embarcação pesqueira local, equipada para a captura de camarão-sete- barbas. Após a captura, os organismos sofreram eutanásia com óleo de cravo e em seguida foram conservados no gelo e transportados ao laboratório. No laboratório, os peixes foram identificados e mensurados unitariamente quanto ao comprimento total (CT) utilizando ictiômetro (precisão de 1mm) e pesados com o auxílio de balança analítica (precisão de 0,1 g). O fator de condição (K) foi obtido após a logaritimização dos valores de peso (Wt) e comprimento (CT) de cada espécie, onde foram submetidos a uma regressão linear para a obtenção do coeficiente alométrico (“b”), sendo utilizada a expressão: K= Wt/CTb . Para verificar a correspondência do fator de condição entre os períodos amostrais foi aplicada uma análise de variância unifatorial (ANOVA), sendo adotado o intervalo de confiança (α = 0,05). No total foram capturadas 28 espécies, sendo 15 na primavera e 22 no verão, totalizando respectivamente 363 e 316 exemplares. Destas, apenas Isopisthus parvipinnis, Paralonchurus brasiliensis e Stellifer brasiliensis apresentaram número de exemplares suficientes, nos dois períodos, para a realização das analises. O valor médio de K foi de 0,010784 para I. parvipinnis, 0,630204 para P. brasiliensis e 0,030078 para S. brasiliensis. A ANOVA demonstrou diferença significativa para K entre os períodos de estudo, sendo os valores de Wt e CT responsáveis pela variação. Assim fica evidente que também é necessário um maior conhecimento acerca dos padrões sazonais de aspectos biológicos das espécies descartadas, para a obtenção do real impacto desta atividade pesqueira sobre a ictiofauna acompanhante.

 

Palavras-chave: Grau de higidez. Variação sazonal. Ictiofauna acompanhante.


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