Defesa antipredação da esponja Mycale (Zygomycale) angulosa (DUCHASSAING & MICHELOTTI, 1864) diante de diferentes predadores

T. S.B. Reppso, J. M. Araujo, A. L.D. Lopes, G. Lobo-Haidu, B. G. Fleury

Abstract


Os poríferos apresentam alta diversidade e abundância de espécies nas comunidades marinhas, desempenhando importantes funções na manutenção da biodiversidade e estruturação do ecossistema, além de apresentarem importantes fontes de produtos naturais biologicamente funcionais. As atividades ecológicas dos produtos naturais encontrados em esponjas, tal como no gênero Mycale são muito diversificadas, dentre elas, está a produção de defesa química frente a predadores. Neste contexto, existem modelos que tentam explicar a distribuição e abundância de espécies no ambiente, como o Modelo de Defesa Ótima (MDO) que prediz que as defesas podem ser induzidas através da pressão de predação. Mycale (Zygomycale) angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864) apresenta ampla distribuição geográfica, no entanto apresenta poucos estudos de atividade defensiva com ênfase em produtos naturais. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a defesa química de M. angulosa contra predação por diferentes tipos de consumidores (pequena e grande mobilidade). O estudo foi realizado com M. angulosa coletada no Abraãozinho, Ilha Grande, RJ. As esponjas foram liofilizadas e extraídas com solvente orgânico DCM. O extrato bruto (EB) foi testado em laboratório, quanto a predação do caranguejo Pachygrapsus transversus, e contra peixes generalistas in situ, no Abraãozinho. Sendo oferecidos simultaneamente alimentos controle (caranguejo: ágar+lula em pó/ peixes: carragenana+purê de atum), e tratamento (ágar+EB+lula em pó/ peixes: carragenana+EB+purê de atum). O consumo em ambos os ensaios, foi avaliado através da diferença percentual entre controles e tratamentos oferecidos, em cada réplica através do teste não paramétrico Wilcoxon pareado (Statistica 7).Sendo significativos quando p<0,05. O extrato de M. angulosa inibiu o consumo pelos caranguejos no bioensaio de predação (p<0,01; n=30), e o consumo pelos peixes in situ (p<0,01; n=28). Concluiu-se, portanto, que M. angulosa apresenta estratégia de defesa química altamente eficaz, sendo defendida contra diferentes tipos de consumidores. Esse resultado sugere, que a estratégia usada por M. angulosa pode ser induzida pela pressão de predação sofrida no ambiente, corroborando o MDO. Sendo assim, os metabólitos de defesa de M. angulosa garantem a sobrevivência e abundância da espécie no ambiente.

 

Palavras-chave: Porifera. Ecologia Química Marinha. Produtos naturais marinhos. Pachygrapsus transversus. Peixes generalistas.

 


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