Efeito dos gradientes batimétricos sobre a diversidade de peixes demersais na região da Ilha de Queimada Pequena – Peruíbe – SP

G. C. Stabile, D. B. V. L. Souza, G. A. Torres, H. V.P.M. Silva, J. P. Santos, L. S. Bernal, V. Masson, A. A. Liberati, R. A.O. Souza, M. E. Laranjeira, M. M. Rotundo

Abstract


Mudanças nos padrões de distribuição podem antecipar alterações nas comunidades de peixes demersais. Assim, torna-se necessário o conhecimento da dinâmica das comunidades e suas interações ecológicas em escalas espaciais e temporais, devido às variações regionais e sazonais, principalmente para subsidiar o gerenciamento adequado dos recursos. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito dos gradientes batimétricos sobre a diversidade de peixes na região da Ilha de Queimada Pequena, no município de Peruíbe – SP. A coleta foi realizada no mês de agosto de 2016, na região entre o continente e a ilha, em quatro pontos paralelos a praia, em profundidades diferenciadas (5,5; 6,5; 9 e 11 metros), utilizando bote camaroeiro com rede de arrasto de portas. Todos os exemplares foram identificados e mensurados quanto ao peso (g) e comprimento total (mm). Com base na abundância e riqueza foram calculados os índices de diversidade de Shanonn (H’), riqueza de Margalef (Mg), equitabilidade de Pielou (J’), dominância (D), curva de rarefação, similaridade de Jaccard e teste “t” de diversidade, buscando evidenciar diferenças entre as profundidades. Todos os cálculos foram realizados através do programa PAST (Palaeontological Statistics, versão 2.17). Foram capturados 980 exemplares pertencentes a 22 espécies e 12 famílias. Os maiores valores observados para H’ e J’ foram referentes a menor profundidade (5,5 m), assim como pelo menor valor de D e número de exemplares capturados. Os menores valores de H’, Mg e J’ ocorreram na maior profundidade (11 m), onde também foram observados os maiores valores para D e número de exemplares. Nenhum dos meses alcançou a assíntota na curva de rarefação. A maior similaridade de composição (60%) ocorreu entre as profundidades de 6,5 e 11 metros, e a menor (40%) entre 5,5 e 11 metros. O teste “t” de diversidade evidenciou a diferença significativa (p<0,05) entre o ponto de maior profundidade (11 m) e os demais. Com base nos resultados foi possível observar um padrão decrescente da diversidade em relação ao aumento da profundidade, ou ainda, o mesmo padrão para a distância entre o continente e a ilha. Cabe ressaltar que a variação observada também deve ser analisada sazonalmente para um conhecimento efetivo da comunidade de peixes da região, podendo até atenuar os resultados deste estudo.

Palavras-chave: Diversidade. Batimetria. Ictiofauna

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