O direito à cultura e o debate restitutivo de obras de arte patrimônio, colonialidade e herança cultural no Brasil
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Resumo
O presente artigo analisa criticamente a relação entre patrimônio cultural, colonialidade e restituição de obras de arte, tomando como eixo central o debate contemporâneo acerca do direito à cultura e da legitimidade da posse de bens culturais espoliados durante os processos coloniais. Parte-se da compreensão de que a constituição dos grandes acervos museológicos ocidentais esteve historicamente vinculada à expansão imperial europeia, à acumulação por expropriação e à universalização de categorias jurídicas e epistemológicas produzidas pela modernidade ocidental. Problemática: consiste em compreender de que maneira o conceito moderno de patrimônio cultural operou como instrumento de legitimação da violência colonial e quais os limites do paradigma patrimonial universalista diante das reivindicações restitutivas formuladas pelos povos historicamente colonizados. Objetivo: investigar as relações entre patrimônio, propriedade, herança cultural e colonialidade, examinando como os discursos patrimoniais contribuíram para naturalizar práticas de saque, deslocamento e apropriação de bens culturais. Metodologia: a pesquisa possui abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise teórico-conceitual, mobilizando autores dos campos da teoria crítica do patrimônio museal e dos estudos anticoloniais, como Poulot, Choay, Mbembe, Vergès, Fanon e Prats. Resultados: o patrimônio museal ocidental não pode ser dissociado das estruturas históricas do colonialismo e os debates sobre restituição tensionam as noções tradicionais de propriedade, universalidade e preservação cultural. Conclusão: argumenta-se que a valorização das culturas espoliadas pelo contexto colonial exige uma revisão crítica das estruturas jurídicas e econômicas relacionadas aos debates restitutivos que alcance a herança cultural dos povos, sua memória sociais e seu direito à cultura.
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Referências
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